Certo e errado existe? Quanto tempo perdemos as vezes discutindo o que é certo e o que é errado? Quanto desgaste? Quanta química ruim liberada no nosso corpo. Lendo o livro Sendo Você, Mudando o Mundo (por Dr. Dain Heer) veio essa indagação.

Passados períodos políticos, experenciamos isso com muita intensidade e temos muitos exemplos de que querer ter razão nos afastou de pessoas que gostamos (outras foram tarde..kkk).

Imagina que esteja em uma discussão e tu decida admitir que está errada e que o outro está certo. Naquele exato momento um nó se desfaz. A discussão perde energia. Igual estourar um balão, a tensão na borracha se desfaz em segundos. O ego vai dizer que: não vou dizer que eu estou errado se eu estou certa!!! Independente de quem está certo ou errado a proposição é: diga que o outro está certo e perceba o que acontece. Abre-se um campo novo, uma folha em branco, um espaço, uma nova possibilidade de incluir. Tira-se o dedo da tomada e paramos de sentir a descarga elétrica.

Porém, mais do que cessar a discussão e a liberação de uma química prejudicial no nosso corpo a pergunta sequencial é: algum problema em estarmos errados? Algum problema em percebermos que podemos errar e temos a chance de escolher novamente?

Já pensou que a ÚNICA maneira de mudarmos nossa forma de agir/pensar/fazer/receber/ser, parte do princípio que precisamos reconhecer que estamos errados. Mas reconhecer o erro não tem que ser um velório acompanhado de lágrimas de culpa, mas sim um acolhimento que faz parte do processo de transformação. Quando admitimos estarmos errados percebemos a grandeza das coisas que nos rodeiam.

Talvez quando fizermos o exercício de incluir o erro como possibilidade cotidiana em nossa vida (e não exceção), mais rápido retomamos o nosso problema com outro olhar? Eu sou engenheira civil e filha de descendentes italianos. Meus pais me ensinaram que o erro não pode acontecer. Imagina a carga, a tensão de estar tentando fazer algo com o monstro do erro querendo te engolir. E pensando: não posso errar, não posso errar…me deu dor de estômago só de escrever.

Sabe, fiquei pensando. Talvez a palavra devesse ser esquecida do dicionário. Pois se errar faz parte do processo, então errar é certo. Ai jesus, tô ficando confusa! Então para piorar vou incluir mais algo. Esquece a visão do outro e veja só sob o seu olhar. Quem sou eu para dizer o que é errado? Existe uma normativa mundial que relacione o que é certo do que é errado?

Bom, existem algumas regras criadas a partir da sociedade que tentam “ordenar” a vida em comunidade. Assisti recentemente a série do Netflix com Morgan Freeman com o título A História de Deus (recomendo). Ele percorre as várias religiões do mundo e questiona coisas como apocalipse, vida após a morte, etc. Religiões com crenças semelhantes outras completamente antagônicas. Eu amo história e saber sobre as pessoas, comunidades e cidades, e vi que as religiões impactam muito nas cidades e comunidades que temos hoje. Mas a pergunta que fica é: qual está certa? Todas têm suas fundamentações. Todas têm seus porquês.

Acredito que temos que ter as nossas verdades e princípios e respeitar o espaço do outro. A isso se chama bom senso. Mas não precisamos ter isso como algo fixo. Toda vez que vivermos um novo dia nosso ponto de vista pode mudar. O certo e o errado mudam sua fundamentação.

Melhor ficarmos livres destes pesos desnecessários e assim estaremos mais aptos a perceber que o errado de hoje, pode ser o certo de amanhã. Que é certo para mim e não para o outro. E que errar faz parte.